quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fábio Branco e a prescrição

O tempo e o longo caminho de recursos processuais da Justiça brasileira jogaram a favor do prefeito Fábio Branco. Condenado em 2003 a um ano e dois meses de reclusão e multa (pena substituída por duas restritivas de direito), por omitir dados solicitados pelo Ministério Público Estadual, e tendo perdido todos os recursos desde então, o prefeito rio-grandino teve agora uma única e definitiva vitória: seu processo será arquivado por ter sido a pena considerada prescrita.

http://www.riogrande.rs.gov.br/internet/ver_foto.php?tipo=4&id=FT_499446312953f
O caso começou em 2001, quando o então promotor, Voltaire Michel, investigava contratos da Prefeitura do Rio Grande, então comandada por Fábio Branco. Na época, o prefeito atrasou e omitiu informações solicitadas pela promotoria, tendo sido acusado da prática de crime tipificado no artigo 10 da Lei que regulamenta a Ação Civil Pública. Fábio Branco foi condenado em primeira instância, em 2003, e a sentença foi confirmada naquele mesmo ano, pelo Tribunal de Justiça.

Desde então, o réu entrou com diversos recursos para suspender a execução da pena, tendo inclusive concorrido a prefeito, em 2008, sob a proteção de uma liminar em habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Todas as decisões foram desfavoráveis ao prefeito, sempre confirmando a pena. Em 20 de outubro último, o habeas corpus também foi negado, abrindo o caminho para o cumprimento da pena.

No entanto, no último dia 12, o ministro Celso Limongi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgando um agravo regimental naquele tribunal, decidiu pela "prescrição da pretensão punitiva", por ter decorrido um prazo maior do que o previsto sem manifestação do Ministério Público que pudesse interromper a prescrição.

Segundo a decisão de Limongi, o prazo prescricional era de quatro anos, sendo que desde maio de 2004, não houve "ocorrência de qualquer causa interruptiva" por parte do MPE, o que resultou na prescrição da punibilidade. A reportagem fez contato com o MPE e com a Vara de Execuções Penais, mas não foi possível precisar, até o fechamento da edição, qual a promotoria atualmente responsável pelo caso.

Na prática, a decisão do STJ não absolve o prefeito, que teve a condenação mantida, mas apenas declara que, por demora ou omissão, não cabe mais ao Estado aplicar qualquer punição pelo crime cometido

(Colaborando na divulgação, matéria de G. Leite - Jornal Agora)

O salário dos vereadores

A procuradora-geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Simone Mariano da Rocha, ingressou no início deste mês com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul contra os dispositivos das leis municipais que regulam a fixação dos subsídios do prefeito municipal e dos vereadores da Câmara Municipal do Rio Grande.

A ação foi encaminhada pelo Ministério Público (MP), através da 1ª Promotoria de Justiça Especializada, e ataca a fixação de verba de representação para o presidente da Câmara Municipal do Rio Grande; ajuda de custo para os parlamentares; subsídio extra no mês de dezembro; bem como a vinculação do reajuste do subsídio ao reajuste dos vencimentos dos servidores públicos.

De acordo com o documento, o subsídio dos vereadores já foi fixado no limite máximo permitido pela Carta Federal, não oportunizando conceder verba de representação ao presidente da Câmara Municipal. Atualmente, o salário de vereador é de R$ 5.782,38 - o que corresponde a 50% da remuneração do salário de um deputado estadual. No entanto, o valor relativo à representação do presidente da Casa, prevista pela lei vigente municipal, é de R$ 2.891,19, deixando o salário em R$ 8.673,57. De acordo com a procuradora-geral, o montante final afronta o artigo 29, VI, "b" da Constituição Federal e aos artigos 8º e 11 da Constituição Estadual.

Outra questão apontada pela ADI é quanto ao salário extra concedido aos vereadores no início e fim de cada sessão (ano), gerando um subsídio a mais de R$ 11.564,76. A Justiça verifica que o total extrapola o teto constitucional, uma vez que o rendimento auferido duas vezes por ano alcança um patamar maior que o da regra limitadora estabelecida pelo art. 29, VI, "b" da Constituição da República.

Diante dos fatos expostos na ação, o MP requer a notificação das autoridades municipais responsáveis pela promulgação e publicação do ato impugnado, para que, querendo, prestem informações no prazo legal; a citação da Procuradoria-Geral do Estado, para que ofereça a defesa da norma, na forma do artigo 95, § 4º, da Constituição Estadual; e a procedência do pedido, para que se declare a inconstitucionalidade do § 5.º do art. 2º e os arts. 3º, 4º e 5º da Lei nº 6.529, de 11 de abril de 2008, e o art. 5º da Lei nº 6.533, de 25 de abril de 2008, do Município do Rio Grande, por ofensa aos arts. 8º e 11, caput, da Constituição Estadual e arts. 29, VI, 37, X e XIII e 39, §§ 3º e 4°, da Constituição Federal.

Confira o salário dos vereadores e do presidente da Câmara Municipal:
- Presidente da Câmara: R$ 11.564,76 (duas ajudas de custo de R$ 5.782,38) + 5.782,38 (prêmio assiduidade) + 34.694,28 (verba de representação x 12 meses) = R$ 52.041,42 por ano;
- Vereadores: R$ 11.564,76 (duas ajudas de custo de R$ 5.782,38) + R$ 5.782,38 (prêmio assiduidade) = R$ 17.347,14 por ano.

sábado, 21 de novembro de 2009

Nas esquinas do Cassino

As Macondos estão por aí. As terras imaginárias, os lugares mágicos que guardam nas esquinas segredos públicos que só alimentam os folclores locais.


Quando você cresce em um lugar que no devir histórico se tranformou na velocidade de uma ferrari, não resta outra coisa senão invocar a Dona Memória. Sim, essa moça feita de lembranças e esquecimentos é capaz de nos levar para os lugares mais improváveis e malucos.

O Balneário Cassino cresceu e ainda cresce mais a cada dia, mas algumas coisas não mudaram. Sim, na minha memória não mudaram porque minha memória não deixa - eu brigo com ela as vezes, ainda estou na dianteira dessa disputa, mas qualquer hora ela me vence...

Eu ainda vejo a casinha de picolés do Tio Enke (aquela com desenhos da turma da Mônica), eu ainda compro cachorro quente nas carrocinhas em frente a igreja. Eu ainda acho que o Dog Set está ali onde hoje fica o pessoal que joga bocha! Quando quero pastel eu corro no Michel, ali na frente da igreja. E se quiser um lanche mais preparado vou no Lira na esquina do Hotel Atlântico.

Só posso caminhar de um lado da ciclovia, pois do outro ainda sinto a areia solta que entrava nos sapatos na época do verão. Puxa, preciso tirar urgente outra foto no ponei do Teixerinha para depois comprar um sorvete na Zum-Zum!

E a noite do Cassino ainda abriga o amalucado Bar do Meio, ou quem sabe o Bauhaus para quem faz o estilo "boy de praia"? Shows só se for na Fábrica do Gelo - ver o Olodum dependurado no muro da vizinha junto com meus primos.

E faz tempo que não vou na canchinha... (mas na quadra pequena, de calçamento rachado e do tamanho de um ovo, pois 2 para cada lado já deixava a quadra cheia!). Depois da cancha ir jogar um flipper na frente da pracinha ou atrás da igreja!

E por esses trajetos encontro algumas "personas": Saraiva com seu sorriso maroto, Dillys (dei uma inglesada no nome dela) sempre num trago federal. E claro, como poderia esquecer da inesquecível Zeli - ou como ela mesma gosta de ser chamada "Senhorita Marisa". Claro, e o nosso herói local: Rambinho!

Saindo do amarelinho cassinense, outros sujeitos se somam. E é impossível para quem mora no Cassino a mais de 10 anos nunca ter ouvido falar no Gilberto Souza! Você não pode não pode dizer que é um "cassineiro" se nunca ouviu falar do João Capacete com sua bicicleta circense. O Toninho Pecoço, Seu Chico da peixaria, o Beto Gordo do Banco, e por que não, da Dona Benta!

O Cassino a cada ano que passa perde suas figuras, que jamais morrem, apenas se transformam em esquinas cheias de histórias. Não gosto nem um pouco de quem se diz "cassineiro", pois na realidade pouco ou nada conhecem do folclore local.

O que me motivou a escrever esse texto foi aquela foto lá em cima. Trata-se da Padaria São Jorge, que abriu em 1950 e fechou em 2002 - narua Alfredo Rodrigues. procuro nem passar pela rua, pois é difícil ver que todas as suas refrências estão indo para a vertical em forma de prédio, apartamentos. Prefiro guardar na memória a mesma quadra onde cresci e joguei futebol no campinho de pedra da calçada.

Mas preciso ir, o Din-Din já tá apitando na frente da Vídeo Lúdio!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cobra Coral!

O melhor programa de comédia da televisão brasileira sem dúvida alguma é a TV Senado ou a TV Câmara. Experimente ligar a TV e assistir alguma comissão em “ação”. Sai de tudo, cobras lagartos e jacarés. O que era para ser sério vira um Zorra Total, um CQC, Pânico, tudo isso ao mesmo tempo.
Isso porque nessa última manhã assisti um dos momentos de mais puro humo rnonsense na TV Senado. A Comissão que discute tecnologia acontecia em uma discussão entre oposição e base governista sobre o comparecimento da ministra Dilma até o Congresso para dar explicações sobre o apagão da semana passada. O que está em jogo, é claro, é o desgaste político da ministra que a oposição quer provocar. Ou alguém realmente acha que tem algum sentido ela comparecer nas 5 comissões das quais pedem seus esclarecimentos (lembrando que a mais de dois anos ela saiu do Ministério de Minas e Energia)? E mais, o atual ministro nem foi cogitado de aparecer em 2 dessas comissões – Edson Lobão foi enxotado, os holofotes querem Dilma!

Mas o melhor de tudo venho quando o senador Artur Virgílio, criticando as declarações de Lula sobre as possíveis questões naturais que teriam ocasionado o apagão, sugeriu que fosse chamada “Fundação Cobra Coral”.

De pronto o presidente da mesa, Senador Flexa Ribeiro topou – estampado em sua cara que ele não tinha a mínima idéia do que se tratava tal coisa - dizendo, ótima reivindicação e ficando a sugestão para mesa. Não deu alguns minutos o senador foi informado do que se tratava a “Fundação Cobra Coral”.

Para quem não sabe, a Fundação Cobra Coral é uma entidade esotérica chamada, baseada nos princípios de um tal Cacique Cobra Coral – que teria o poder da clarividência. Já foi modinha entre alguns artistas brasileiros, mas hoje está fora de cena.

O episódio de hoje no Senado se encerra com o presidente da mesa tresloucado querendo dizer a todos que não teria sugerido e nem mandado para votação a possibilidade de chamar a Cobra Coral! Nesse meio tempo, Wellington Salgado e Edison Lobão filho se esbaldavam rindo na mesa, E o primeiro lança a última pérola:
- Não precisa chamar não, já tem bastante cobra aqui no senado.


As vezes eu não sei se é para rir ou para chorar...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Amarelinho" de Rio Grande



A Câmara Municipal do Rio Grande realizará na sexta-feira,20, Audiência Pública em que será discutida com as autoridades do setor de saúde, e da Santa Casa do Rio Grande, a posibilidade do fechamento do Hospital Psquiátrico Maria Vicenza da Fontoura,, conhecido como "Amarelinho". Em outra oportunidade, Audiência Pública semelhante evitou o fechamento do hospital. Uma série de questionamentos deverão ser feitos e as mais diversas nuances abordadas, de vez que, não existem condições de abrigar em hospitais normais, alguns tipos de patologias tratadas no Hospital Psiquiátrico.

A Audiência Pública está marcada para as 14h, e deverá ser presidida pelo vereador Delamar Miraaplheta-PDT, presidente da Câmara Municipal. Os vereadores Thiago Gonçalves-"Thiaguinho"-PMDB; Luciani Compiani Branco-"Lu Compiani"-PMDB; José Antônio Silva-"Repolhinho"-PSDB; Wilson Batista Duarte Silva-"Kanelão"-PMDB: Renato Albuquerque-PMDB; Paulo Renato Mattos Gomes-"Renatinhgo"-PPS; Giovani Morales-PTB e Carlos Fialho Mattos-"Patola"-PPS, assinaram o pedido de Audiência Pública, aprovado pela unanimidade dos vereadores.

Sacos Plásticos


Por uma ironia qualquer, pelo menos dois dos melhores discos lançados em 2009 são dos Titãs. Por que dois? Primeiro temos a banda Titãs (ou o que sobrou dela) lançando “Sacos Plásticos”, e depois temos o ex-titã Arnaldo Antunes com “Ie, Ie, Ie”.

O álbum Sacos Plásticos acaba por ser uma grata surpresa desse grupo que parece ter ficado para trás no trem musical brasileiro em algum lugar entre os MTVs da vida e os integrantes que perdeu. O disco é produzido pelo tarimbado Ruck Bonadio, e daí temo suma primeira resposta para qualidade do trabalho.

Os arranjos modernosos, algumas batidas eletrônicas muito bem sacadas (Múmias e Amor por Dinheiro), fizeram com que o grupo não ficasse tão oitentista, o que poderia parecer um ar nostálgico e ao mesmo tempo decadente de quem não conseguiu se atualizar. A mão de Rick está também nos hits fáceis de colar no cérebro, “Não me lembro como eu era antes de você” de Antes de Você e a balada romântica Por que sei que é amor – levada novelesca que lembra Epitáfio em alguns momentos.

Assim como qualquer banda os Titãs precisam de seus hits, singles, então nada melhor que, ao menos, sejam razoáveis, com boas letras e bem cantadas – um resultado alcançado com êxito pelo grupo. Paulo Miklos acerta nos vocais, deixando de lado tons que deixavam sua voz cada vez mais rouca, e Branco Melo (sempre mal aproveitado) ganha mais espaço e não decepciona com a ótima Quanto Tempo – que entrega uma das melhores letras: “O tempo passa tão depressa, logo acaba mal começa...”.

Mas o destaque do álbum fica por conta da visceral Deixa eu Sangrar, que é o ponto mais romântico do disco – mas que em momento algum soa meloso ou clichê barato. Ainda tem espaço para uma autêntica faixa da era Titãs anos 80 com a sacana Deixa eu Entrar e uma balada reggeira com Nem mais uma Palavra. Ironicamente a pior faixa do álbum é justamente a do título, Sacos Plásticos.

No geral, é um ótimo disco, e mais do que isso, é um dos melhores trabalhos do grupo desde o ano 2000 – quando pareciam se especializar tão somente em singles de novelas.

Ah! O disco de Arnaldo?! Bem, esse é uma verdadeira pérola que merece um posto somente dele. Mas para deixar o gostinho: os anos 50 chegaram no ano de 2009!

Bastardos Inglórios


Superar a própria obra-prima é tarefa quase impossível no mundo cinematográfico. Em se tratando de diretores das ultimas duas décadas (90 e 00) então a coisa fica mais complicada ainda – devido a valorização dos “grandes diretores da última semana”. Alguém se arrisca dizer que M. Night Shyamalan algum dia superou O Sexto Sentido?

Quentin Tarantino está nessa lista de diretores que estremeceram Hollywood, mas que ao mesmo tempo será eternamente cobrado para repetir algo do calibre de Pulp Ficton. Ele já tentou e errou feio (Jackie Bronw), mas também teve acertos (Kill Bill). Agora veio o desempate: Bastardos Inglórios. Resultado = saldo positivo!

Tarantino jamais fará Pulp Fiction novamente, mas ao mesmo tempo será capaz de amadurecer e entregar pérolas como esse seu último trabalho – que mostra amadurecimento frente a alguns maneirismo chatos (como diálogos que instem em serem 100% cool, mas que muitas vezes soam pedantes) e mais do que isso, mostra sua versatilidade.

Bastardos Inglórios é uma mistura de filme de guerra com faroeste (a primeira seqüência inteira trata-se de uma homenagem a Sergio Leone) e cheia de nonsense de primeira linha – o sotaque de Brad Pitt e a presença de um irreconhecível Mike Myers atestam isso. Aliás, Brad Pitt tem uma das melhores seqüências de toda sua carreira ao tentar se passar por um italiano que “fala baixo”.

Mas nada seria tão genial se Tarantino não tivesse criado o melhor personagem de toda sua carreira: Hans Landa. O psicótico/lunático secretário da segurança que tem a cara e as atitudes mais blasés da década – muito, é claro, é mérito do ator Chris Waltz que merecidamente levou a Palma de Ouro em Cannes.

Hans Landa é uma mistura explosiva (e nisso está contido também o elemento humor) do paspalho gangster Vincent Vega (John Travolta em Pulp Fiction) e o glutão personagem interpretado por Robert De Niro em Jack Brown, que mata uma mulher por que ela “falava demais”. Sensacional!

Um filme que mostra um diretor mais contido, menos metido a cool, mas ao mesmo tempo explorando ao máximo os diálogos em tom teatral, longas seqüencias em forma de capítulos (aqui um maneirismo que não perde e já começa a desgastar) e um roteiro enxuto. Pode não ser tão revolucionário quanto um Pulp Fiction, mas com certeza é um filme que mostra o quanto Tarantino está ficando cada vez melhor. Filmaço